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A história do figo e da vespa
O figo não é exatamente uma fruta comum. Ele é, na verdade, uma estrutura fechada, chamada sicônio, onde as flores ficam escondidas dentro. Por causa disso, o figo não pode ser polinizado por insetos comuns.
Para que o figo se desenvolva, ele depende de uma relação específica com a vespa-do-figo. Essa vespa entra no figo para colocar seus ovos. Ao fazer isso, ela leva pólen de outro figo e permite a fecundação das flores internas.
Na maioria das espécies, a vespa não consegue sair. Ela morre dentro do figo depois de cumprir seu papel. Seu corpo é decomposto por enzimas da própria planta, sem deixar vestígios identificáveis.
Esse processo não é exceção, é regra. Figo e vespa evoluíram juntos por milhões de anos, num sistema de dependência mútua. Sem a vespa, o figo não se reproduz. Sem o figo, a vespa não completa seu ciclo de vida.
Não há intenção, sacrifício ou moral nessa relação.
Há apenas um sistema biológico extremamente específico, sustentado por repetição e tempo.