cultura
Clara Nunes e Paulo César Pinheiro

Clara Nunes e Paulo César Pinheiro tiveram uma relação marcada por parceria artística, respeito mútuo e cuidado. Mais do que um casal, formaram um encontro raro entre intérprete e compositor, em que a vida pessoal e a criação caminharam juntas.
Clara já era uma das maiores vozes da música brasileira quando conheceu Paulo César Pinheiro. Ele, poeta e letrista, trazia uma escrita profundamente ligada à cultura popular, às religiões de matriz africana e às histórias do Brasil invisível. Essa afinidade não foi construída por estratégia, mas por identidade.
O casamento dos dois aconteceu em 1975. A partir daí, Paulo passou a escrever canções pensando diretamente na voz, no corpo e na espiritualidade de Clara. Não eram letras genéricas. Eram canções feitas sob medida, respeitando o jeito de cantar, o tempo e a presença dela.
Clara Nunes foi fundamental para que muitos sambas, pontos e cantos ligados às tradições afro-brasileiras chegassem ao grande público sem serem descaracterizados. Paulo César Pinheiro entendia isso e escrevia sem tentar explicar demais, sem folclorizar. A música vinha como continuação de uma vivência, não como tradução didática.
A relação dos dois foi interrompida cedo. Clara morreu em 1983, aos 40 anos, após complicações decorrentes de uma cirurgia simples. A perda foi abrupta e deixou um vazio não apenas na música brasileira, mas também na vida de Paulo.
Depois da morte de Clara, Paulo César Pinheiro continuou escrevendo, mas sempre deixou claro que aquela parceria era insubstituível. Muitas de suas canções posteriores carregam, de forma direta ou indireta, a ausência e a memória desse período.