cultura
Moondog

Moondog foi um compositor e músico americano que passou boa parte da vida morando nas ruas de Nova York. Durante anos, era comum vê-lo nas calçadas de Manhattan vestindo roupas inspiradas na mitologia nórdica, o que fez muita gente tratá-lo como apenas mais uma figura excêntrica da cidade.
Mas Moondog não era um personagem. Ele era um compositor com formação sólida em música clássica, profundamente interessado em ritmo, contraponto e formas antigas de composição. Ainda jovem, ficou cego após um acidente, o que não o afastou da música, mas mudou a forma como ele se relacionava com ela.
Suas composições misturam minimalismo, música clássica, jazz e estruturas rítmicas pouco usuais. Muitas delas são curtas, repetitivas e construídas a partir de padrões simples, mas nunca aleatórios. Há sempre uma lógica clara sustentando o que parece estranho à primeira escuta.
Um bom exemplo disso é “Bird’s Lament”, talvez sua obra mais conhecida. A música é construída sobre uma linha rítmica constante, quase hipnótica, que se repete enquanto pequenas variações vão surgindo. Não há clímax nem resolução tradicional. A força da música está justamente na repetição e na forma como ela se sustenta sozinha.
“Bird’s Lament” foi composta em homenagem ao saxofonista Charlie Parker e mostra bem como Moondog transitava entre mundos. A música soa moderna até hoje, mas é baseada em ideias musicais antigas, como o uso rigoroso de ostinatos e formas cíclicas.
Durante muito tempo, Moondog foi ignorado pelas instituições musicais. Ainda assim, influenciou compositores minimalistas como Steve Reich e Philip Glass, além de músicos do jazz e da música experimental. Seu reconhecimento veio tarde, quando ele já havia passado décadas à margem.
Moondog não se encaixava em categorias fáceis. Não era exatamente erudito, nem popular. Não fazia música para agradar, nem para provocar. Fazia porque acreditava na estrutura, no ritmo e na repetição como linguagem.