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O infinito como um laço amoroso
O símbolo do infinito não surgiu como metáfora romântica. Ele vem da matemática e é conhecido como lemniscata. Foi usado para representar algo que não tem começo nem fim definidos, um percurso contínuo.
Visualmente, o símbolo é simples: duas curvas que se cruzam no centro e seguem em movimento constante. Não há ponto inicial claro e não há encerramento. O traço retorna sobre si mesmo sem se repetir exatamente do mesmo jeito.
Com o tempo, esse símbolo passou a ser associado ao amor. Não porque o amor seja eterno no sentido idealizado, mas porque ele compartilha uma característica estrutural parecida. Relações não avançam em linha reta. Elas retornam, cruzam os mesmos pontos, mudam de direção, recomeçam.
O laço do infinito não cresce para fora, ele se mantém em movimento. Para continuar existindo, precisa seguir girando. Se parar, deixa de ser laço. O amor, muitas vezes, funciona da mesma forma. Não se sustenta por promessa, mas por continuidade.
Nesse sentido, o infinito não representa duração eterna, mas repetição com variação. A ideia de que algo pode voltar sem ser idêntico ao que foi antes. O centro do laço, onde as curvas se cruzam, é o ponto de encontro e também de tensão. É onde tudo passa, sempre.
Talvez por isso o símbolo tenha sido adotado para falar de vínculos. Não como garantia de permanência, mas como aceitação do movimento. Amar não seria seguir em frente indefinidamente, mas aceitar o retorno, o desvio e o cruzamento constante.
O infinito, como laço amoroso, não promete que nada termina.
Ele apenas mostra que algumas coisas só existem enquanto continuam em movimento.