cultura
Xangô na mitologia iorubá
Na mitologia iorubá, Xangô foi um rei antes de se tornar orixá. Ele teria governado a cidade de Oyó, um dos reinos mais importantes da África Ocidental, região que hoje corresponde principalmente à Nigéria.
Xangô é descrito como um líder forte, impulsivo e carismático. Durante seu reinado, era associado ao poder político, à autoridade e à capacidade de impor ordem. Ao mesmo tempo, sua personalidade era marcada por excessos, orgulho e decisões violentas.
Segundo os mitos, Xangô dominava o fogo e o trovão. O oxê, seu machado de duas lâminas, simboliza o equilíbrio entre forças opostas e o poder de decidir. O raio, associado a ele, não é apenas destruição, mas manifestação direta de sua presença e autoridade.
A narrativa mais conhecida conta que Xangô perdeu o controle de seus próprios poderes. Ao provocar incêndios e destruição, acabou causando a morte de pessoas próximas. Tomado pela culpa e pelo colapso de seu reinado, Xangô teria se enforcado.
Após sua morte, fenômenos naturais passaram a ser associados a ele. Raios, trovões e tempestades passaram a ser vistos como sinais de que Xangô não havia desaparecido, mas se transformado em orixá. Sua divinização surge, portanto, da memória de um rei cuja autoridade ultrapassou a vida.
Na tradição iorubá, Xangô não representa justiça no sentido moral abstrato. Ele representa poder aplicado, decisão, consequência. Justiça aqui não é suavidade, mas responsabilidade pelos atos cometidos.
Quando os cultos aos orixás chegaram ao Brasil com a diáspora africana, Xangô manteve esses atributos centrais. Mesmo com variações entre religiões afro-brasileiras, a figura do rei que se tornou força permanece.